Globo desativa sinal em parabólicas tradicionais; saiba o que fazer para não perder TV

A partir deste domingo, milhões de telespectadores que dependem de antenas parabólicas tradicionais para assistir à TV aberta enfrentarão uma mudança significativa. A Globo, maior emissora do Brasil, anunciou o desligamento do sinal digital transmitido por esses equipamentos, conhecidos por sua estrutura grande e telada. Esta medida integra um processo nacional de transição que busca a modernização da tecnologia de transmissão, impulsionada pela chegada do 5G, que requer a liberação da faixa de frequência conhecida como Banda C, uma faixa utilizada há décadas pelas parabólicas tradicionais. Portanto, quem ainda utiliza esses modelos deverá se adaptar para continuar acompanhando a programação gratuita.

Essa mudança não ocorre de maneira isolada. Ela está intimamente ligada a uma transformação tecnológica que começou em 2022, quando a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estabeleceu as regras para a implementação do 5G no Brasil. A nova geração de internet móvel opera na faixa de 3,5 GHz, próxima à faixa de 3,6 a 3,7 GHz utilizada pelas antigas parabólicas. Essa proximidade pode causar interferências que resultam em chuviscos nas imagens ou até na total perda do sinal, especialmente em municípios onde o 5G já está em operação.

O impacto dessa mudança é profundo, pois a substituição por equipamentos modernos, como as novas parabólicas digitais, se torna essencial. Essas novas antenas, que operam na Banda Ku, prometem uma qualidade superior de imagem e som, sem conflitos com as transmissões de internet 5G. Para facilitar essa transição, as famílias de baixa renda que estão inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) têm até 30 de junho para solicitar a substituição gratuita da antena. Essa iniciativa, coordenada pelo programa “Siga Antenado”, já distribuiu cerca de 4,9 milhões de kits em todo o Brasil, mas estima-se que ainda haja 600 mil beneficiários que podem fazer o agendamento necessário.

À medida que o prazo se aproxima, a urgência da situação aumenta, especialmente com a decisão da Globo de desativar o sinal mais cedo do que o inicialmente previsto, que poderia se estender até dezembro. Portanto, é fundamental que as famílias que ainda utilizam as parabólicas tradicionais se informem e tomem as medidas necessárias para evitar que fiquem sem acesso à TV aberta.

Por que o sinal está sendo desligado agora?

A decisão da Globo de descontinuar o sinal digital para as parabólicas tradicionais neste domingo representa um passo significativo na modernização do acesso à TV aberta no Brasil. A emissora, que já havia encerrado o sinal analógico, agora finaliza a transição para priorizar tecnologias que sejam compatíveis com o uso do 5G. A Banda C, utilizada por essas antenas, foi escolhida para acomodar a nova geração de internet móvel, que tem uma capacidade excepcional em termos de velocidade e cobertura. Manter os serviços de TV e internet funcionando em simultâneo pode aumentar os riscos de interferência, prejudicando tanto a qualidade da TV quanto a conexão 5G.

Em grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, a cobertura 5G já abrange mais de 90% das áreas urbanas, e desde 2023, os relatos de interferência no sinal de TV triplicaram. A troca das parabólicas antigas por modelos digitais que operam na Banda Ku evita esses conflitos indesejados. Mais do que isso, a nova tecnologia oferece uma série de vantagens, como imagem em alta definição, som mais claro e acesso a até 100 canais gratuitos, além de programação regional que atente às realidades dos telespectadores.

A Anatel, em parceria com emissoras e operadoras de telefonia, coordena esse processo desde 2021. Embora o prazo para o desligamento total do sinal nas parabólicas antigas se estenda até dezembro, as emissoras têm liberdade para estabelecer suas próprias datas. A Globo escolheu avançar com a sua suspensão, enquanto outras emissoras, como o SBT, têm previsão de continuar até agosto, e a Record, Band e RedeTV! já encerraram suas transmissões antes, ampliando a urgência da adaptação.

Quem precisa trocar a antena?

Nem todos os telespectadores precisarão se preocupar com o desligamento do sinal da Globo. A mudança afetará apenas aqueles que ainda utilizam parabólicas tradicionais, que se caracterizam por um tamanho grande, chegando a ter até 3 metros de diâmetro, e uma estrutura telada. Esses modelos são comuns, especialmente em áreas rurais e periferias urbanas, pois captam o sinal via satélite na Banda C. Por outro lado, quem já faz uso de antenas digitais modernas, conhecidas como “espinha de peixe”, ou até mesmo as internas, não enfrentará mudanças, já que esses equipamentos operam por sinal terrestre e, portanto, não sofrem interferência do 5G.

Estima-se que cerca de 23 milhões de domicílios brasileiros ainda dependam de parabólicas para acessar a TV aberta. Muitas dessas residências estão localizadas em regiões mais distantes dos grandes centros, nas quais as parabólicas tradicionais representam uma solução acessível e eficiente. Contudo, dada a expansão do 5G, a troca das antenas se torna uma necessidade urgente para garantir a continuidade do serviço. A nova parabólica digital, que é menor e feita com chapa rígida, surge como a principal alternativa. Os preços para aquisição desse equipamento variam a partir de R$ 500, valor que já inclui receptor e cabos. Para as famílias que não têm condições financeiras de arcar com essa despesa, o programa “Siga Antenado” fornece o kit gratuitamente para beneficiários do CadÚnico, que inclui aproximadamente 21 milhões de participantes do Bolsa Família.

Como solicitar a troca gratuita

As famílias que estão inscritas no CadÚnico têm a chance de trocar seus equipamentos sem incorrer em custos adicionais, mas é vital que professam essa oportunidade antes que o prazo expire. Até 30 de junho, é possível fazer o agendamento para a instalação da nova parabólica digital, seja através do site do programa Siga Antenado ou pelo telefone 0800 729 2404. Para realizar o agendamento, basta possuir o CPF e o Número de Identificação Social (NIS). Os técnicos autorizados procedem à substituição em aproximadamente 30 minutos.

O programa, que é co-financiado pelas operadoras Claro, TIM e Vivo, que compraram a faixa de 3,5 GHz durante o leilão do 5G, já alcançou a conclusão de 85% dos agendamentos até o mês de fevereiro, em um prazo médio de 10 dias. Com a pressão do prazo final se aproximando, é esperado que a demanda aumente. Até agora, mais de 2 milhões de kits foram instalados, mas com o sinal de emissoras como a Globo sendo interrompido, a necessidade de instalação cresce ainda mais.

  • Quem tem direito? Famílias com parabólica tradicional funcionando e inscritas no CadÚnico.
  • O que o kit inclui? Antena digital, receptor e cabos.
  • Como agendar? Através do site ou telefone, informando CPF e NIS.
  • Prazo limite? 30 de junho, às 20h.

Esta iniciativa é crucial para garantir que milhões de brasileiros não fiquem com acesso cortado à TV aberta, uma importante fonte de informação e entretenimento.

Impactos da transição nas regiões do país

À medida que o 5G se expande e as parabólicas antigas são desligadas, os impactos dessa transição variam conforme a localização. Nas grandes cidades, onde a infraestrutura de internet e TV digital terrestre já é bem estabelecida, a mudança tende a ser menos perceptível. Em São Paulo, por exemplo, a cobertura do 5G atinge 95% da área urbana, e a tendência é que a maioria dos habitantes já utilize antenas internas ou serviços de streaming. Por outro lado, em áreas rurais do Nordeste ou no interior do Centro-Oeste, a dependência das parabólicas tradicionais é considerável, o que torna essa transição mais desafiadora.

No Recife, os relatos do início de interferência no sinal de TV começaram em 2023, revelando problemas como chuviscos e travamentos. Contudo, a nova parabólica digital oferece benefícios reais para a população, proporcionando acesso a telejornais locais e transmissões esportivas regionais, valorizando a cultura local. Em Fortaleza, a história se repete, com o 5G tendo alta cobertura e a troca de antenas sendo realizada intensivamente nos últimos meses.

A substituição das parabólicas é uma estratégia crítica para preparar o Brasil para a revolução digital. O 5G promete internet de alta velocidade para todos os 5.570 municípios até 2029, mas isso depende da completa liberação da Banda C. Ao mesmo tempo, a TV aberta, que atualmente possui uma audiência de mais de 60 milhões de brasileiros por meio de satélite, necessita se adaptar para assegurar cobertura a todos.

Vantagens da nova parabólica digital

Trocar para a nova parabólica digital traz vantagens que vão muito além da simples substituição por conta do desligamento. O novo equipamento é mais compacto e eficiente, operando na Banda Ku, o que elimina as interferências do 5G. Ele deve ser posicionado em direção aos satélites da Sky ou da Embratel, que garantem estabilidade e qualidade superiores nas transmissões. Em comparação com os modelos antigos, a versão digital é particularmente vantajosa, pois elimina problemas que eram comuns, como chuviscos em dias de chuva, além de proporcionar uma experiência de alta definição sem igual.

Ademais, um dos principais atrativos é o aumento do número de canais disponíveis. Enquanto as parabólicas tradicionais costumam captar uma média de 20 a 30 emissoras, a nova tecnologia pode sintonizar até 100, todas elas oferecidas gratuitamente. Isso inclui programas regionais que se tornam essenciais para a comunicação em localidades afastadas dos centros urbanos. Em estados como Amazonas e Pará, onde a TV aberta frequentemente é o único meio de informações acessível, a transição representa um avanço significativo.

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A instalação é relativamente simples, exigindo apenas um espaço desobstruído, como a ausência de árvores ou prédios, para que a antena possa direcionar corretamente para o satélite. A experiência de vários usuários, como Davi Correia, um motorista de São Paulo, exemplifica essa transformação: “A qualidade da imagem melhorou muito, agora posso assistir tudo sem problemas”.

Cronograma da transição no Brasil

O processo de substituição de antenas antigas por novas segue um calendário planejado pela Anatel, com etapas importantes que afetam tanto os telespectadores quanto as operadoras de televisão. Vamos analisar as principais fases desse cronograma:

  • 2022: Início do 5G nas capitais e desligamento gradual do sinal analógico nas parabólicas.
  • Julho de 2023: Expansão do 5G para cidades com mais de 200 mil habitantes.
  • Março de 2025: Globo desativa o sinal digital nas parabólicas antigas.
  • Junho de 2025: Prazo final para agendamento gratuito da nova parabólica, dia 30 às 20h.
  • Dezembro de 2025: Desligamento total do sinal nas parabólicas tradicionais em todo o país.

Esse cronograma busca alinhar a modernização da TV aberta à expansão do 5G, assegurando que nenhum brasileiro fique sem acesso aos serviços de transmissão.

Alternativas para quem não quer a nova parabólica

Nem todos os telespectadores precisam se adaptar à nova parabólica digital para continuar assistindo à TV aberta. Existem estratégias alternativas, especialmente em áreas urbanas onde a infraestrutura é robusta. As antenas “espinha de peixe”, que captam o sinal digital terrestre, podem ser adquiridas a partir de R$ 70 em lojas de eletrônicos. Além disso, para apartamentos, as antenas internas estão disponíveis por cerca de R$ 30 e funcionam bem quando situadas próximas a torres de transmissão.

Para quem tem acesso à internet, plataformas de streaming como o Globoplay oferecem a programação da Globo ao vivo, embora isso dependa de uma conexão estável. Contudo, em áreas rurais, a nova parabólica permanece sendo a opção mais prática e acessível, principalmente pelo fato de continuar permitindo acesso gratuito ao sinal. A escolha por uma abordagem específica dependerá do perfil do usuário e da sua localização, mas é evidente que a transição é urgente com o desligamento à vista.

O que acontece se não trocar a antena?

É importante ressaltar que aqueles que não realizarem a troca da parabólica tradicional até este domingo perderão o sinal da Globo imediatamente. Após o dia 30 de março, a tela da TV mostrará apenas chuviscos ou uma mensagem de “sem sinal” para os canais da emissora. Com a eventual desativação de outras redes, como SBT e Record, o problema se tornará ainda mais significativo, resultando em um total bloqueio do acesso à TV aberta via satélite.

O programa Siga Antenado orienta que, sem a substituição, os telespectadores ficarão sem opções, já que o desligamento se tornará irreversível em dezembro, quando todas as emissoras devem finalizar suas transmissões nas antigas parabólicas. Regiões onde o 5G já está disponível, como Salvador e Belo Horizonte, já vivem problemas de recepção devido à interferência. Por isso, a atualização dos equipamentos é extremamente urgente para evitar transtornos futuros e garantir um acesso contínuo à programação de TV.

Um marco na história da TV brasileira

A desativação do sinal para as parabólicas tradicionais sinaliza o fim de uma era na televisão brasileira. Introduzidas nas décadas de 1980 e 1990, essas antenas desempenharam um papel crucial em levar a TV aberta a diversas regiões do país, conectando milhões de famílias a notícias, novelas e eventos esportivos. À medida que avançamos no processo de digitalização e integração com o 5G, o Brasil está diante de um desafio: garantir que essa transição não exclua os mais vulneráveis.

A Globo, líder de audiência, está entre as últimas a descontinuar seu sinal, enquanto emissoras menores, como Band e RedeTV!, já concluiram suas transmissões. O impacto cultural desse momento é imenso, especialmente para aqueles que dependem da TV como sua principal fonte de informação. A nova parabólica digital surge como uma ponte para o futuro, oferecendo não apenas qualidade melhorada, mas também uma maior abrangência no acesso à informação em um mundo cada vez mais conectado.

Perguntas Frequentes

as pessoas que não têm acesso a internet podem ainda assistirteenos programas ao novo sinal digital a nova parabólica atende sem custo.

Posso adquirir a nova parabólica digital mesmo se não tiver cadastro no CadÚnico? Não, a troca gratuita é exclusiva para beneficiários do CadÚnico.

Qual a principal diferença entre as parabólicas antigas e as novas? As novas operam na Banda Ku, evitando interferências do 5G e oferecendo melhor qualidade de sinal.

O que fazer caso eu perca o prazo para solicitar a troca gratuita? Você ainda pode adquirir a nova parabólica no mercado, embora tenha um custo associado.

As novas antenas garantem acesso a quais canais? As novas parabólicas digitais podem captar até 100 canais gratuitos, incluindo os locais e regionais.

O que ocorrerá se não fizer a troca até a data limite? Você perderá o sinal imediatamente, e isso será irreversível após dezembro, quando todas as emissoras descontinuarão o uso das parabólicas tradicionais.

A desativação do sinal nas parabólicas tradicionais pela Globo é um passo muito importante para a modernização do sistema de transmissão de TV no Brasil e, para muitos, a nova opção de antena digital é a chave para o futuro. Para aqueles que precisam fazer a transição, as oportunidades estão disponíveis, e a urgência é clara. Portanto, é vital ficar atento ao prazo e às opções que garantam o acesso contínuo à programação que milhões de brasileiros consideram essencial em suas vidas.